Resumo de Dissertação - Prevalência e Fatores De Risco de Incontinência Urinária em Mulheres Atendidas em uma Unidade Básica de Saúde

Claudia Daniella Avelino Vasconcelos Benício, Maria Helena Barros Araújo Luz


A Incontinência Urinária (IU) é definida pela International Continence Society (ICS) como a queixa de qualquer perda involuntária de urina. É um desvio de saúde que atinge grande parte da população, especialmente o sexo feminino, apresentando crescente prevalência em todo o mundo, o que suscita preocupação e interesse de pesquisadores por esta temática, mediante as significativas alterações que provoca na vida das pessoas. Esta pesquisa objetivou estimar a prevalência de IU e sua correlação com os fatores de risco em mulheres atendidas em ambulatório de ginecologia de uma Unidade Básica de Saúde de Teresina – PI. Estudo do tipo exploratório-descritivo, transversal, com abordagem quantitativa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piaui com o CAAE 0368.0.045.000- 10. Participaram do estudo 306 mulheres com idade mínima de 20 e máxima de 83 anos. Utilizou-se como instrumento de investigação um formulário estruturado composto por três blocos: (1) dados sociodemográficos, (2) dados clínicos e (3) manejo da IU. Realizou-se análise estatística descritiva a partir da distribuição da freqüência e percentuais das variáveis, utilizando-se medidas de tendência central e dispersão, o teste χ2 (Chi-quadrado) com nível de significância á = 5% para verificar as possíveis associações entre os quesitos estabelecidos nos objetivos específicos da pesquisa. O teste selecionado para observar a diferença entre o grupo que apresentou e o que não apresentou IU foi o de Mann-Whitney. A prevalência de IU foi de 40,8%, sendo que a maioria apresentou Incontinência Urinária de Esforço (IUE) com o percentual de 60,0%, seguida da Urge-Incontinência (UI) com 28,2%; e 12,1%, para Incontinência Urinária Mista (IUM). Dentre os fatores de risco mais fortemente associados à IU, encontraram-se a idade (p<0,001), as doenças neurológicas (p=0,005), a diabetes (p=0,024), hipertensão (p=0,001), o tabagismo (p<0,001), o uso de cafeína (p=0,018), cirurgias pélvicas (p=0,001), cirurgias abdominais (p=0,037), cirurgias pélvicas e abdominais (p=0,007), o uso de anti-hipertensivos (p=0,002), a obesidade (p=0,010), constipação (p=0,013) e os eventos obstétricos: número de gestações e número de partos normais, (p<0,001). Destaca-se que quanto ao perfil sociodemográfico e clínico predominaram mulheres com ensino médio completo (29,6%), casadas (51,2%), naturais de Teresina (40,0%), de cor parda (64,8%), com 04 a 06 pessoas na família (55,2%), com diversas ocupações e renda mensal e familiar entre um e dois salários mínimos (44,8%) e (55,2%), respectivamente, hipertensas (58,1%), que tinham o hábito de consumir cafeína (63,9%), submetidas a cirurgias pélvicas (69,0%), que usavam anti-hipertensivo (53,3%), e que apresentavam constipação intestinal (67,6%). Considerando o manejo da IU, verificou-se a falta de informação, o desconhecimento e descuido quanto à utilização de medidas preventivas e de tratamento da IU. Conclui-se que o estudo possibilitou conhecer a situação da IU em mulheres assistidas na Atenção Básica, evidenciando resultados semelhantes aos existentes na literatura, contribuindo com informações relevantes e originais sobre a IU, podendo despertar nos profissionais e gestores de saúde pública a necessidade de maior atenção para essa clientela, no sentido de prevenção e melhoria da qualidade de vida.
Descritores: Incontinência Urinária, Prevalência, Mulheres, Fatores de Risco, Enfermagem.

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