Perfil dos Estomizados Atendidos em Hospital de Referência em Teresina

Authors

  • Michelle Santos Macêdo Enfermeira Especialista em Saúde Pública e Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem.
  • Lídya Tolstenko Nogueira Enfermeira Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Federal do Piauí.
  • Maria Helena Barros Araújo Luz Enfermeira Estomaterapeuta. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Federal do Piauí.

Abstract

ResumoEste estudo tem como objetivo caracterizar os estomizados atendidos em uma instituição de referência no tratamento de câncer, quanto aos aspectos sócio-demográficos e, identificar os tipos de estomas e suas causas. Os resultados mostraram que a maioria dos estomizados é do sexo feminino (62,50%), faixa etária entre 40 a 77 anos (87,50%), casados (68,75%), com 03 a 06 filhos (37,50%), alfabetizados (43,75%), pertencentes à religião católica (75,00%), procedentes de outros estados (50,00%), com renda de até um salário mínimo (87,50%). Sobre as características relacionadas ao estoma, verificou-se que a grande maioria é de colostomizados (81,25%); seguido de urostomizados (12,50%) e ileostomizados (6,25%). O câncer colo-retal foi a principal causa geradora do estoma (87,50%), com permanência definitiva de 81,25%. A melhor orientação e esclarecimento ajuda o paciente no manejo e aceitação do estoma. Os profissionais de saúde, especialmente o enfermeiro, interagem com os pacientes proporcionando informação e assistência de enfermagem.Palavras Chaves: Perfil do estomizado. Assistência de enfermagem. Estomaterapia.AbstractProfile of ostomates attended in a reference hospital in Teresina The objective of this study is to identify the ostomy in regards to their socio-demographic aspects and, identify the types of ostomies and their causes. The results showed that the majority of the ostomy were female (62.50%); were between the ages of 40 to 77 (87.50%); married (68.75%); had 3 to 6 children (37.50%); were literate (43.75%); belonged to the Catholic religion (75.00%); came from another state (50.00%) and had an income up to one minimum salary (87.50%). In relation to their ostomies, it was found that the great majority had colostomies (81.25%), followed by urostomies (12.50%) and ileostomies (6.25%). The principal cause of the ostomy surgery was colorectal cancer (87.50%) with 81.25% of these being permanent. A better orientation and explanation helps the patient in the management and acceptance of the ostomy. The health professionals, especially the nurse, interact with the patients providing them with information and assistance.         Key wordsOstomies profile. Nursing assistence. Stomatherapy.ResúmenPerfil de los ostomizados atendidos en hospital de referencia en Teresina Este estudio tiene como objetivo caracterizar a los ostomizados atendidos en una instituición de referencia en el tratamiento del cáncer en relación a los aspectos socio-demográficos y, identificar los tipos de ostomías y sus causas. Los resultados mostraron que la mayoría de los ostomizados es del sexo femenino (62,50%), con edad entre 40 y 77 años (87,50%), casados (68,75%), con 03 a 06 hijos (37,50%), alfabetizados (43,75%), pertenecentes a la religión católica (75,00%), procedentes de otros estados (50,00%), con renta de hasta un sueldo mínimo (87,50%). Sobre las características relacionadas a la ostomía, se comprobó que la gran mayoría es de colostomizados (81,25%), seguido de urostomizados (12,50%) y ileostomizados (6,25%). El cáncer colo-retal fue la principal causa generadora de la ostomía (87,50%), con la permanencia definitiva de 81,25%. Una mejor orientación y aclaración ayuda al paciente en el manejo y aceptación de la ostomía. Los profesionales de salud, especialmente el enfermero, interaccionan con los pacientes proporpocionándoles información y asistencia a la enfermidad.Palabras clave: Perfil del ostomizado. Asistencia a la enfermidad. Estomaterapia.IntroduçãoUm estoma é uma abertura cirúrgica no abdômen, através da qual os dejetos são expelidos quando a função normal do intestino ou da bexiga é interrompida1.A realização de estomas intestinais no adulto faz parte do tratamento cirúrgico de diversas doenças, como tumores colo-retais, diverticulite, doenças intestinais inflamatórias, tais como: doença de Crohn e a retocolite ulcerativa inespecífica, os traumatismos colo-retais, por acidentes e violência, e as anomalias congênitas em crianças. A avaliação pré-operatória do paciente candidato a um estoma é fundamental para os objetivos reabilitatórios, principalmente por ser uma fase em que tanto ele como sua família encontram-se ávidos e receptivos por informação, buscando lidar com os medos e ansiedades do desconhecido e ativando os mecanismos de enfrentamento2.A seleção e a demarcação do local onde será exteriorizado o estoma devem ser realizadas na fase pré-operatória. Na decisão de tais procedimentos deve participar o cliente, o cirurgião e o enfermeiro, levando em consideração os contornos abdominais, evitando a proximidade de proeminências ósseas, a cicatriz umbilical e a cirúrgica, de modo a deixar a área circundante livre, para melhor adesividade da bolsa e facilitar o manuseio do autocuidado3.Alvesrelata que os sujeitos têm que se acostumar tanto à idéia de sofrer de neoplasia como a de viver com um estoma. É da articulação desses dois esforços que seria composto o quadro de adaptação à nova condição corporal e orgânica.Os pacientes que serão submetidos a uma cirurgia para colostomia temporária podem demonstrar temores e preocupações semelhantes aqueles de uma pessoa com um estoma permanente. Uma colostomia temporária poderá tornar-se permanente para o paciente cuja condição se deteriora e que não consegue tolerar uma cirurgia adicional. A aceitação e compreensão, por parte do enfermeiro, das preocupações e das sensações do paciente transmitem uma atitude interessada e competente que promove a confiança e a cooperação5.ObjetivoO presente artigo tem como objetivo conhecer o perfil dos estomizados atendidos em hospital de referência em Teresina-PI.MétodosTrata-se de um estudo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa, que caracteriza o perfil dos estomizados em pós-operatório de uma instituição de referência no tratamento de câncer na capital do Piauí.A amostra deste estudo foi constituída por todos pacientes que se submeteram à cirurgia para realização de estoma, na instituição acima referida, nos meses de agosto a setembro de 2001, e os critérios para a seleção foram: ser portador de algum tipo de estoma, estar consciente, lúcido e orientado e concordar em participar da pesquisa, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. A amostra constou de 16 estomizados de ambos os sexos, os quais possuíam colostomias, urostomias e ileostomias temporárias e permanentes.A coleta de dados foi realizada mediante entrevista semi-estruturada, contendo dados sobre a caracterização demográfica da clientela: sexo, idade, escolaridade, estado civil, procedência, número de dependentes, religião e renda familiar. Em relação ao estoma, foram avaliados o tipo, a causa da realização do estoma e o tempo de permanência do estoma.A pesquisa foi autorizada pela instituição hospitalar e as entrevistas foram realizadas no período pós-operatório. Após a coleta dos dados, procedeu-se a análise estatística, com distribuição de freqüência e percentual, e os resultados articuladas com o referencial teórico.Resultados e DiscussãoAnalisando a distribuição dos estomizados quanto à faixa etária, observa-se que a maioria (87,50%) apresenta-se na faixa entre 40 a 77 anos, e apenas12,50% na faixa inferior a 40 anos. Segundo Boccardo et al6, há um predomínio de estomizados na faixa etária entre 58 a 78 anos e menor freqüência para os pacientes em faixa etária menor (18 a 38 anos). Verifica-se a concordância entre a maior incidência das neoplasias e a maior parte dos estomizados, apresentarem idade superior a 40 anos, pois esta característica é tida não só como fator de risco para o aparecimento dos cânceres como o tratamento de alguns deles ser gerador de estoma.Quanto ao sexo, verifica-se que há uma predominância do sexo feminino, (62,50%), coincidindo com achados similares ao deste estudo como o de Luz1. O sexo do ostomizado pode exercer influencia na sua adaptação social. Segundo Crema2, as mulheres no período pré – operatório demonstram significantes graus de desespero, depressão e medo, mas a adaptação tende a levar um tempo menor. Os homens, principalmente aqueles com problemas de impotência sexual, demoram um tempo maior para responder satisfatoriamente às atividades gerais de rotina, inclusive, costumam apresentar dificuldades mais acentuadas com o autocuidado.Sobre a procedência, a maioria dos ostomizados, 50%, provém de outros estados, seguidos de uma porcentagem significativa do interior do Piauí (31,25%), e apenas 18,75% residem em Teresina. É preciso ressaltar que Teresina é um Centro de Referência para tratamento de saúde, não apenas em relação ao interior, mas também para outros estados da região, como Maranhão, Pará e Pernambuco.Quanto ao estado civil, verifica-se que os casados predominaram na amostra de estomizados (68,75%), seguidos com menor freqüência de solteiros (18,75%) e viúvos (12,50%). A identificação do estado civil também se assemelha aos resultados de Boccardo et al6. Esse dado tem importância no ponto de vista psicossocial, e mesmo econômico, já que esta situação pode estar relacionada aos problemas resultantes do estoma, nas esferas conjugal, sexual e de trabalho.No que se refere ao número de dependentes, observou-se que grande parte dos estomizados (37,50%) possui de 03 a 06 filhos, contrastando com o estudo realizado por Boccardo et al6, em São Paulo, onde, em sua amostra de 45 estomizados, observou que a maioria dos pacientes (23 pacientes) não tinha dependentes.Os dados evidenciaram que a maior parte dos estomizados se concentrou nas categorias de alfabetizados (43,75%) e com ensino fundamental completo (31,25%). O conhecimento da variável escolaridade é importante, pois segundo Cezareti7, a integração enfermeiro - paciente envolve a comunicação que deve se constituir num canal aberto, autêntico, e ser adequado em qualidade ao nível instrucional dos estomizados e seus familiares. Quanto menor o grau de instrução, maior a dificuldade de acesso a informação e de entendimento sobre as condições e adaptações necessárias à reabilitação e a obtenção de um padrão de vida satisfatório.No que concerne à religião, verificou-se que a grande maioria, dos estomizados é da religião católica (75%), seguida de evangélicos (25%). De acordo com Cesareti7, os valores, crenças e atitudes são conceitos que orientam a vida e o comportamento do ser estomizado, contribuindo e assegurando o retorno às atividades de vida normal e facilitando o processo de reabilitação.Ao se investigar a renda familiar, verificou-se que a grande maioria dos estomizados (87,50%) refere ter renda de até um salário mínimo. Para Forattini8, a situação sócio-econômica de uma população pode ser estabelecida através da ocupação e renda do esposo (a) ou responsável da família. Com base nessa afirmação, pode-se concluir que a população estudada tem baixo poder aquisitivo, o que dificulta a aquisição de bolsas e dispositivos adjuvantes adequados para o autocuidado, tendo em vista o elevado custo dos mesmos. Em tais situações, cabe ao enfermeiro encaminhar formalmente estes pacientes ao pólo distribuidor dos dispositivos oferecidos pelo SUS.Com relação à caracterização do estoma, verificou-se a predominância de pacientes colostomizados (81,25%), seguidos de urostomizados (12,50%) e apenas 6,25% portadores de ileostomias. Crema2 comenta que a realização de um estoma intestinal está intimamente relacionado à cirurgia proposta para o tratamento do fator causal.O estudo permitiu observar que 81,25% dos entrevistados possuíam estoma definitivo (permanente), enquanto que em 18,75% o estoma era temporário. Tais dados divergem do estudo de Luz9, que investigou 90 estomizados, dos quais apenas 28,90% possuíam estoma definitivo, 3,30% temporário e 67,80% não tinham a permanência do estoma identificado.Das causas responsáveis pela abertura de estomas nos entrevistados, o câncer colo-retal foi o que atingiu o mais alto percentual (87,50%), vindo a seguir o câncer ginecológico (6,25%) e traumatismos (6,25%). Segundo Forones10, o câncer do reto é mais freqüente que o do cólon. O sigmóide e o cólon descendente são os locais onde o câncer surge com maior freqüência, seguidos pelo cólon ascendente e transverso. No colón, o câncer incide na mesma proporção entre homens e mulheres, mas no reto é mais freqüente nos homens. Dados semelhantes ao deste estudo, no que se refere às causas geradoras de estoma, foi verificado no estudo de Luz9, em que 33,40% dos estomizados tinham câncer colo-retal e 3,30% câncer ginecológico.ConclusõesA caracterização dos pacientes ostomizados que participaram da pesquisa permitiu as seguintes conclusões: predominância de ostomizados do sexo feminino (62,5%), faixa etária situada entre 40 a 77 anos (87,5%), procedentes de outros estados (50%), maior percentual de casados (68,75%), com 03 a 06 filhos (37,5%), alfabetizados (43,75%), pertencentes à religião católica (75%), com renda de até um salário mínimo (87,5%). A grande maioria dos pacientes estomizados era portador de colostomia permanente (81,25%), destacando-se o câncer colo-retal (87,50%) como principal causa geradora de ostomia.

Downloads

Download data is not yet available.

References

Luz MHBA. A dimensão cotidiana da pessoa ostomizada: um estudo de enfermagem no referencial de Martin Heidegger. IN: Tese (Doutorado). E.E.A.N./UFRJ, Rio de Janeiro: 2001.

Crema E, Silva R. Estomas: uma abordagem interdisciplinar. Uberaba: Editora Pinti, 1997.

Santos VLCG. Fundamentação teórico-metodológica da assistência aos ostomizados na área da saúde do adulto. Rev Esc Enf USP. 2000;34:1.

Alves LCA. Correlação entre a resposta ao câncer e a adaptação psicossocial a colostomia. Jornal do Conselho Federal de Medicina. 2001.

Brunner LS, Suddarth DS. Tratamento dos pacientes com Distúrbios Intestinais e Retais. In: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1994.

Boccardo LM. et al. Aspectos da reinserção social do ostomizado. Rev Esc Enf USP. 1995;29:1.

Cesaretti IUR. Ostomizado: reabilitação sem fronteiras? Ponto de vista do enfermeiro. Rev Bras Enf Brasília. 1995; 48:1.

Foranttini OP. Epidemiologia Geral: Fatores relativos às pessoas. São Paulo, Artes Médicas, 1986.

Luz GD. Perfil do cliente ostomizado no Estado do Piauí. IN: Monografia (trabalho de Conclusão de Curso - UFPI). Teresina, 1999.

Forones NM. Câncer colorretal. Revista Diagnóstico e Tratamento. 1998;.3:2.

Published

2016-03-23

How to Cite

1.
Macêdo MS, Nogueira LT, Luz MHBA. Perfil dos Estomizados Atendidos em Hospital de Referência em Teresina. ESTIMA [Internet]. 2016Mar.23 [cited 2020Oct.25];3(4). Available from: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/15

Issue

Section

Article

Most read articles by the same author(s)

1 2 > >>