Autocuidado da Pessoa com Diabetes Mellitus: Contribuição ao Cuidado Clínico de Enfermagem para a Prevenção do Pé Diabético

Luciana Catunda Gomes de Menezes, Maria Vilani Cavalcante Guedes


O pé em risco é uma das complicações microvasculares graves e mutilantes de pessoas com diabetes, e, quando não diagnosticado precocemente, traz como consequência o pé diabético. Para evitar e postergar todas as complicações o paciente precisa aprender o autocuidado. O objetivo foi avaliar e classificar o pé diabético após intervenção educativa de enfermagem para promover o autocuidado. Este trabalho é um estudo quase‐experimental, do tipo antes e depois, de uma intervenção com 40 pessoas diabéticas, realizada em 2013, em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) de Fortaleza, Ceará. Realizou‐se a intervenção educativa de enfermagem para prevenção de pé diabético e a classificação e avaliação do grau de risco, antes e após as orientações para o autocuidado. A intervenção educativa foi executada utilizando panfletos, modelos anatômicos de pés com e sem lesões e álbum seriado para pessoas com diabetes. Para coletar dados foram utilizados a entrevista semiestruturada e um formulário para avaliação clínica e exame físico do pé. A pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará (UECE) — processo no 201.279. A coleta dos dados seguiu as seguintes etapas: na avaliação inicial aplicou‐se intervenção educativa por meio de orientações para o autocuidado e o exame físico dos pés; nas avaliações subsequentes foram reforçadas essas recomendações e na avaliação final foi feito outro exame físico dos pés e a retomada dos cuidados. Os dados foram expostos em tabelas e gráficos analisados por meio de estatísticas descritivas e inferenciais por meio do teste de McNemar, com nível de significância de p≤0,05. Os dados evidenciam uma amostra predominantemente feminina — 62,5% do total de entrevistados (25 mulheres). A faixa etária variou de 32 a 90 anos, com média de 58,6±11,7 anos. Quanto ao tempo de diagnóstico, encontrou‐se uma média de 8,9±7,0 anos. No que diz respeito às comorbidades, 28 (70,0%) pacientes eram portadores de hipertensão arterial e 29 (72,5%) apresentavam sobrepeso ou obesidade. Quanto aos fatores de risco, 9 (22,5%) eram tabagistas e 14 (35,0%) tinham antecedentes familiares para diabetes mellitus. Com relação aos cuidados com os pés, 25 (62,5%) não andavam descalços, 39 (97,5%) não usavam calçados apertados, 13 (32,5%) hidratavam os pés, 12 (30,0%) realizavam a lavagem dos pés e 12 (30,0%) examinavam os pés. Quanto ao grau de risco, 17 (42,5%) pacientes estavam em grau de risco 0, 10 (25,0%) em grau 1, 7 (17,5%) em grau 2 e 6 (15,0%) em grau 3. Na avaliação dermatológica, realizada nos momentos inicial e final da pesquisa, foi encontrada significância estatística no corte adequado das unhas (p=0,0016), no ressecamento da pele (p=0,0125), nas rachaduras (p=0,0001) e nas calosidades e úlceras (p=0,0005). Adotou‐se a Análise de Conteúdo de Bardin para as entrevistas nas quais emergiram categorias temáticas sobre os cuidados com os pés. Destacou‐se a categoria autocuidado com o pé diabético e duas subcategorias — higiene e segurança dos pés —, nas quais os pacientes descreveram os cuidados efetuados com os pés. A intervenção educativa contribuiu para o aumento do conhecimento e da aquisição de comportamento positivo para o autocuidado em pessoas com pé em risco.

Keywords


Enfermagem. Diabetes mellitus. Pé diabético. Autocuidado.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z1806-3144201700010009

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