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Autores/as

  • Donata María de Souza Enfermeira Estomaterapeuta do programa de Atendimento ao ostomizado pediátrico do Hospital Infantil Darcy Vargas

Resumen

Bolsas Pediátricas para Estomas

As crianças pequenas são naturalmente incontinentes e utilizam fraldas. Porém, após a confecção de um estoma ê necessária a utilização de uma bolsa neonatal ou pediátrica para proteção da pele da criança e esta deve atender os seguintes critérios:* proteger a pele das crianças, que é mais permeável e frágil, uma vez que o efluente pode ser volumoso e constante, rico em conteúdo enzimático e com pH alcalino, como nas ileostomias¹;* proporcionar conforto e segurança, mantendo a criança seca e limpa, sem interferir nos seus movimentos e atividades²;* isolar o estoma ou fístulas de feridas cirúrgicas recentes ou lesões, impedindo o contato com o efluente (fezes, urina ou secreções no caso de fístulas e drenos);* facilitar a assistência ã criança, mantendo boa aderência por pelo menos 24 horas.As bolsas pediátricas para ostomias aderem à pele por meio de barreiras protetoras de pele, ou seja, de resina sintética constituída por hidrocolóides que favorecem a manutenção das condições fisiológicas da pele3. A abertura existente no centro da barreira, chamada de recorte inicial ou mínimo, mede 10 mm. Alguns modelos possuem adesivo microporoso ao redor da resina e o recorte máximo permitido, sem dano à estrutura do dispositivo, deve ser indicado pelo fabricante e manter no mínimo 1,5 cm de resina a sua volta. A barreira protetora pode ter diferentes formatos, todavia, deve ser recortável devido a diferentes diâmetros e disposições dos estomas (uma ou duas bocas, justapostas ou separadas, com forma regular ou não) .As bolsas coletoras pediátricas são transparentes e drenáveis para esvaziamentos frequentes e confeccionadas com plástico antiodor, atóxico e flexível. Possuem tela protetora de material hipoalergênico e absorvente na face interna, para evitar o contato do plástico diretamente com a pele da criança.A transparência da bolsa propicia a visualização do efluente, importante na assistência à criança, uma vez que permite verificar o momento adequado para seu esvaziamento, além de avaliação periódica da aderência do dispositivo. No entanto, crianças maiores, após perfeita adaptação e aprendizado, podem utilizar-se de bolsas opacas, tamanho adulto. O mercado brasileiro não dispõe ainda de bolsas convexas para uso pediátrico. Para o fechamento da abertura de drenagem é utilizado um clamp de material macio, flexível, atraumático e reutilizável, que permite a movimentação e posicionamento da criança com conforto e segurança.Bolsas de uma peçaBolsas pediátricas e neonatais de uma peça
Bolsas pediátricas - duas peças

Criança com bolsa pediátrica duas peças

para estoma urinário

Criança com bolsa pediátrica duas peças

para estoma intestinal

Barreira protetora em pasta

utilizada em pediatria

Quando a bolsa e a placa protetora são unidas em um só dispositivo², ou seja, peça única, o esvaziamento e a higiene são realizados pela abertura de drenagem na porção inferior da mesma (existem bolsas com uma segunda abertura na região oposta). Essas bolsas são descritas pelo recorte mínimo e máximo da resina e utilizadas principalmente em recém-nascidos e crianças menores. Podem ser utilizadas também por pré-adolescentes uma vez que se apresentam mais discretas sob a roupa.Bolsas de duas peçasNas bolsas de duas peças, a barreira protetora de pele é separada da bolsa e o encaixe é realizado por meio de flanges (aros compatíveis placa/ bolsa), que podem ser de 32 mm, 40 mm ou 45 mm. A flange pode ser totalmente unida à resina ou parcialmente (flange flutuante) permitindo que a pressão, durante o encaixe, se faça nos dedos do cuidador colocados sob a flange. Esse sistema permite visualização direta do estoma, melhor controle da aderência da placa sobre a pele, facilita a higienização tanto do estoma quanto da bolsa e agiliza a troca, pois permite que a limpeza da bolsa seja feita posteriormente ã troca e aos cuidados, para conforto dos pais e das crianças, normalmente irrequietas.Bolsas pediátricas para estomas urináriosBolsas pediátricas para estomas urinários de uma ou duas peças (flange com 32 mm, 40 mm, 45 mm e 50 mm) possuem comprimento mínimo de 9,5 cm e capacidade a partir de 100 ml, sistema anti-refluxo, evitando a constante umidade na barreira sintética em contato constante com a urina. A drenagem noturna ou controle da eliminação pode ser feito, adaptando-se à bolsa um coletor de urina sistema fechado, pediátrico ou não.Bolsas neonatais para estomasAs bolsas neonatais para estomas são de uma peça e podem ter uma ou duas aberturas. Não possuem adesivo microporoso devido à sensibilidade e absorção da pele do recém- nascido¹.Materiais adjuvantesQuando não se consegue a aderência da bolsa na pele da criança, seja ela de uma ou duas peças, recomenda-se o uso de materiais adjuvantes³, como: pó protetor à base de polímeros hidrofílicos, pulverizado após cada higienização da pele periestomal; pasta protetora à base de polímeros hidrofílicos e álcool, para proteção da pele entre estomas de duas bocas muito próximos4,5, depressões adjacentes e ao redor de estomas planos ou retraídos. As pastas moldáveis, sem álcool, podem ser utilizadas também na pele lesada, assim como o creme barreira, barreira protetora em creme hidrófago, estabilizadora do pH da pele; placas protetoras de resina sintética ou anéis, avulsas, elásticas e flexíveis utilizadas com a finalidade de acompanhar os movimentos, as pregas cutâneas ou saliências do abdome. Podem ser recortadas e são muito utilizadas em recém- nascidos; o filtro de carvão, para eliminação de odores e saída de gases, é útil também para uso na bolsa de crianças, mesmo as mais pequenas, nas quais os gases eliminados inflam a bolsa coletora diminuindo sua aderência à pele; polímeros acrílicos, que transformam o efluente líquido em gel quando colocados no interior da bolsa, evitam o excesso de umidade na barreira protetora, prolongando o uso da mesma; cintos pediátricos para suporte do peso das bolsas¹, confeccionados em algodão ou nylon resistente, não deformáveis, com comprimento mínimo de 43 cm e máximo de 66 cm, com largura máxima de 1,5 cm. 

Materiais Adjuvantes

Materiais Adjuvantes


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Citas

Carvalho WAF, Yamamoto MS, Del Cistia MEGF. A criança ostomizada. In: Santos LCG, Cesaretti IUR. Assistência em estomaterapia: cuidando do ostomizado. São Paulo: Atheneu; 2001. p.164-33.

Cesaretti IUR, Borges LLN, Greco APC. A tecnologia no cuidar de ostomizados: a questão dos dispositivos. In: Santos LCG, Cesaretti IUR. Assistência em estomaterapia: cuidando do ostomizado. São Paulo: Atheneu; 2001. P.192-73.

Domansky RC. Ostomias: conhecendo a composição das Barreiras Protetoras de pele. Rev. Estima 2003;1(2):16-9.

Park JJ, Del Pino A, Orsay CP, Nelson RL, Pearl RK, Cintron JR, Abcarian H. Stoma complications: the Cook County Hospital experience. Dis Colon Rectum 1999;42(12)16-9.

Ratliff CR, Donavan AM. Frequency of peristomal complications. Ostomy Wound Manage 2001;47(8): 26-9.

Publicado

2004-03-01

Cómo citar

1.
Souza DM de. Tecnologia. ESTIMA [Internet]. 1 de marzo de 2004 [citado 3 de junio de 2026];2(1). Disponible en: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/146

Número

Sección

Article