Resumo de Dissertação 3 - Incontinência Urinária no Puerpério: Fatores de Risco e Impacto na Qualidade de Vida

Authors

  • Lígia da Silva Leroy Enfermeira. Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
  • Maria Helena Baena de Moraes Lopes Enfermeira. Doutora em Ciências. Professora Associada da Faculdade de Enfermagem da FCM-UNICAMP.

Abstract

Objetivos: Caracterizar a Incontinência Urinária (IU) no puerpério quanto ao tipo, freqüência, quantidade, situações de perda urinária e período de início dessa condição; investigar os fatores de risco para IU após o parto e avaliar se esta compromete a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS) e em quais aspectos. Método: Trata-se de estudo casocontrole. Foram incluídas 344 puérperas (77 casos e 267 controles) de até 90 dias pós-parto que compareceram ao Ambulatório de Obstetrícia de um hospital público terciário e de ensino, do interior do estado de São Paulo, Brasil, para consulta de revisão pós-parto. Aplicou-se questionário com dados sociodemográficos e clínicos, formulado e validado para o estudo, acrescido do International Consultation on Incontinence Questionnaire – Short Form (ICIQ-SF), King´s Health Questionnaire (KHQ) e Medical Outcomes Study 36 – Item Short Form Health Survey (SF-36). Resultados: A IU de esforço foi o tipo mais freqüente no puerpério (45,5%). A maior parte das mulheres tinha perda urinária diversas vezes ao dia (44,2%), em pequena quantidade (71,4%), ao tossir ou espirrar (57,1%). A IU iniciou freqüentemente durante a gestação (70,1%) e permaneceu após o parto. A ocorrência de IU no puerpério esteve associada à IU durante gestação (p<0,0001), multiparidade (p=0,0291) e idade gestacional no parto maior ou igual a 37 semanas (p=0,0193). Ao ajustar-se um modelo de regressão logística binária, verificou-se que IU na gestação (OR 12,82, IC 95% 6,94 – 23,81, p<0,0001), multiparidade (OR 2,26, IC 95% 1,22 – 4,19, p=0,0094), idade gestacional no parto maior ou igual a 37 semanas (OR 2,52, IC 95% 1,16 – 5,46, p=0,0199) e constipação (OR 1,94, IC 95% 1,05 – 5,46, p=0,0345) foram fatores de risco para IU no puerpério. O escore médio total do ICIQ-SF foi 13,9 (DP=3,7). Puérperas incontinentes apresentaram pontuação média elevada, indicativa de pior qualidade de vida, nos domínios Impacto da Incontinência, Emoções, Limitações de Atividades Diárias e Limitações Físicas do KHQ. Na comparação entre puérperas continentes e incontinentes observou-se diferença significativa nos domínios Aspectos Físicos (p=0,0047), Dor (p=0,0419), Estado Geral de Saúde (p=0,0002), Vitalidade (p=0,0072), Aspectos Sociais (p=0,0318) e Saúde Mental (p=0,0001) do SF-36. Conclusões: A IU de esforço foi o tipo mais comum no puerpério e a perda urinária ocorreu em pequena quantidade, porém com freqüência elevada, em geral ao tossir ou espirrar. A IU iniciou-se freqüentemente na gestação e permaneceu após o parto. IU na gestação, multiparidade, idade gestacional no parto maior ou igual a 37 semanas e constipação foram fatores de risco para IU no puerpério. No ICIQ-SF foi demonstrado que a IU compromete a QVRS de maneira elevada. O KHQ revelou impacto elevado da IU nos domínios Impacto da Incontinência, Emoções, Limitações de Atividades Diárias e Limitações Físicas. Os escores do SF-36 de puérperas continentes e incontinentes diferiram nos domínios Aspectos Físicos, Dor, Estado Geral de Saúde, Vitalidade, Aspectos Sociais e Saúde Mental, que foi pior para as incontinentes, revelando maior comprometimento nestes aspectos da QVRS devido à IU. A IU afeta de maneira significativa aspectos da saúde física e mental de puérperas, sobretudo daquelas com IU mista (IUM).Descritores: Incontinência urinária; Período pós-parto; Fatores de risco; Qualidade de vida.

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Published

2013-06-01

How to Cite

1.
Leroy L da S, Lopes MHB de M. Resumo de Dissertação 3 - Incontinência Urinária no Puerpério: Fatores de Risco e Impacto na Qualidade de Vida. ESTIMA [Internet]. 2013 Jun. 1 [cited 2024 Apr. 14];11(2). Available from: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/331

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